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O que você quer ser quando crescer?

O que você quer ser quando crescer?

Felipe Watanabe*

Toda criança se acostuma a ouvir esta pergunta com frequência. Durante a infância e a adolescência, convivemos com as expectativas próprias, dos familiares e amigos, de um dia descobrir a resposta. A verdade é que essa descoberta nem sempre é simples e, o tempo é curto. Quando um jovem chega ao fim do ensino médio no Brasil, ele se depara com o desafio final: o vestibular. Será que é mesmo possível escolher uma carreira nessa idade?

Atualmente, vivemos em um mundo sob mudança. A internet, por exemplo, revolucionou a maneira como interagimos uns com os outros. Consequentemente, profissões que nem existiam há uma década atrás, são bastante promissoras nos dias de hoje. Por outro lado, várias outras profissões estão deixando de existir devido aos avanços tecnológicos, que cada vez mais substituem o trabalho humano. Pensando nisso, a ideia de ter que escolher uma carreira pode ser sufocante para um jovem de 18 anos e, como é de se esperar, muitos deles não acertam a escolha na primeira tentativa.

O problema é que, no Brasil, não permitimos que os jovens errem. A consequência deste erro
é grave, pois implica que o estudante deve largar a faculdade e prestar vestibular novamente. Nosso
modelo de educação superior é baseado no momento que o mundo vivia logo após a revolução industrial. Naquela época, fazia sentido que cada indivíduo escolhesse uma área de atuação específica e seguisse carreira a partir disso. Porém, o cenário atual é bastante diferente e vale a nossa reflexão.

Para as gerações anteriores, a escolha da profissão era baseada em outros valores. Os “Baby Boomers”, como ficaram conhecidos os jovens dos anos 60, valorizavam a estabilidade acima de tudo. Era comum se associar a uma única organização e nela fazer uma carreira inteira – obedecendo a uma estrutura hierárquica extremamente vertical –, na qual aqueles que chegavam ao topo eram os que tinham mais tempo de casa.

Já para a “Geração X”, jovens da década de 80, a meritocracia passou a ser valorizada. Profissionais começaram a investir mais em sua capacitação própria e os padrões foram elevados. Mestrados, especializações e qualquer outro diferencial poderiam acelerar a ascensão. A partir de meados dos anos 2000 estamos vivendo a entrada da “Geração Y” no mercado, aqueles que nascerem a partir dos anos 90. A mudança é bem notável. Para os jovens de agora, passou a ser mais importante unir a paixão com o trabalho. Não basta apenas ser bem-sucedido, é preciso fazer aquilo que realmente se ama. Ou seja, além da crescente competitividade, o autoconhecimento nunca foi tão importante.

Além do Brasil, vários países possuem um processo de candidatura semelhante, fazendo com que o aluno opte por uma área logo após o ensino médio. As universidades americanas, no entanto,
oferecem uma solução interessante quanto a isso. Nos Estados Unidos, o sistema educacional inclui o “General Education”, que consiste em uma grade curricular de matérias obrigatórias para todos os cursos. Por exemplo, uma aula de oratória pode ser uma das exigências desta grade, proporcionando a todos os estudantes a chance de aprimorar suas habilidades de comunicação.

A ideia por trás deste modelo é que a educação seja encarada de maneira mais holística, ou seja, além de se aprofundar no curso escolhido, os jovens têm a oportunidade de se envolver em diversas outras áreas. Isso também permite ter mais tempo para decidir e, principalmente, mais chances para que o estudante se conheça melhor.

Na realidade globalizada em que vivemos, percebemos que a escolha do curso em si está se tornando cada vez menos importante. Ao invés disso, empregadores estão valorizando aqueles candidatos que possuem soft skills, ou habilidades comportamentais.Saber se comunicar, trabalhar em equipe, ter facilidade de adaptação, ter sido exposto a um ambiente multicultural e apresentar uma atitude empreendedora são alguns exemplos de habilidades comportamentais desejadas no mercado. É claro que o conhecimento técnico continua sendo importante, porém ele é mais facilmente adquirido por meio da experiência profissional.

Portanto, pensemos na pergunta novamente: “o que você quer ser quando crescer?” Nos dias de hoje, é impossível exigirmos dos jovens uma única resposta. Ao invés disso, devemos estar preocupados em prepará-los para os desafios do futuro, incentivando-os a se conhecer melhor e a desenvolver habilidades que serão fundamentais para que consigam se adaptar em um ambiente
em constante movimento.

Felipe Watanabe desde pequeno se interessa por viagens culturais. De seu currículo consta um intercâmbio para o Japão e outro para os Estados Unidos, ainda no Ensino Médio. Felipe é formado em Economia pela Jacksonville State University (EUA). Atualmente, cursa Pós-graduação em Administração na Fundação Getúlio Vargas e é coordenador de educação superior no STB – Student Travel Bureau.

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