Pessoa estudando para um diploma nos estados unidos

Diploma nos Estados Unidos X mercado brasileiro: vantagens e diferenças

Por Brady Norvall*

Durante minhas visitas ao Brasil, tenho sempre o prazer de falar com muitas pessoas envolvidas em diferentes instituições de ensino – pais, professores e, o mais importante, estudantes. E o que percebi foi que o que antes era visto como preocupação menor, hoje vem se tornando cada vez mais um sinal de ansiedade: como o diploma americano de um estudante brasileiro pode ser transferido para o mercado de trabalho, aqui no Brasil? Trago isso à tona exatamente por vir ao país falar sobre as diferenças entre o sistema universitário americano e o brasileiro.

Parece ter duas coisas acontecendo no Brasil que tem levado as pessoas a quererem conhecer melhor o sistema universitário americano. Primeiro a competitividade, que tem crescido anualmente. Cada vez mais alunos prestam o exame vestibular enquanto as vagas, em qualquer curso e instituição, tendem a permanecer as mesmas – em alguns casos, até diminuem, devido a leis que, essencialmente, cobrem o grande número de estudantes de escolas públicas. A segunda questão, um pouco mais delicada, é a tendência de jovens de não escolher sua carreira aos 17 ou 18 anos.

Ainda que isso não se alinhe perfeitamente com o sistema universitário brasileiro, não é surpresa que muito foi alterado nos últimos anos para criar esse cenário, incluindo um crescente desenvolvimento e a maturação do cérebro adolescente (córtex pré-frontal), e uma economia global que segue evoluindo tão rapidamente que pouquíssimas pessoas das novas gerações deverão trabalhar em apenas uma área por toda a vida. Inclusive, inserir-se em apenas uma carreira parece reduzir a oportunidade de ser flexível no futuro. Quando a economia é tão dinâmica quanto tem sido em toda a vida desses garotos, escolher uma só carreira não parece nem remotamente normal para eles. Falar sobre esses dois tópicos renderia assunto para um livro, então prefiro voltar ao ponto em que universidades dos EUA têm se tornado uma opção, apesar de suas diferenças com relação ao sistema brasileiro. Então vamos pontuar os fatores-chave que causam essa diferença, afinal.

Primeiro, e mais importante, nos Estados Unidos, com exceção de engenharia e de alguns cursos de arquitetura, nenhuma graduação é um título profissional. Por exemplo, no Brasil, quando uma pessoa termina o bacharelado em psicologia, ela vira um psicólogo. O mesmo para uma graduação em economia – a pessoa é um economista. Nos Estados Unidos, esse não é o caso. No Brasil, a grande maioria dos colegas de uma sala estará inserida na área daquela carreira específica. Nos EUA, apenas 1/3 das disciplinas serão usadas em sua área de atuação ou carreira.

As matérias restantes integrarão tipicamente dois grupos: o currículo geral da universidade, incluindo filosofia, artes, estudos sociais, ciências, matemática, literatura e um seminário escrito, por exemplo; e as outras disciplinas, as eletivas, aquelas que correspondem a um interesse específico do aluno, não ligado necessariamente a uma mesma área. Em outras palavras, se você está se formando em ciência política, mas realmente gosta de filosofia, deve cursar as disciplinas específicas de ciência política definidas pela universidade, mas também pode escolher outras matérias de filosofia que lhe agradem, cursando-as como optativas.

Caso consiga ganhar um “minor” por estas matérias, ótimo! Um “minor” não é uma premiação ou qualquer coisa como um diploma extra, é apenas um atestado de busca de conhecimento. Portanto, uma vez que o estudo de uma carreira não é apenas o conteúdo de sua faculdade, receber o grau de bacharel em qualquer área (exceto pelas engenharias e por algumas arquiteturas, como dito anteriormente) não garante o acesso profissional do indivíduo. O que esse ensino proporciona, no entanto, ao estudante que possui múltiplos (ou muitos) interesses é persegui-los com louvor!

Então, como isso se traduz no mercado de trabalho? Quando um aluno retorna de uma graduação nos Estados Unidos, ele vai competir com aqueles que cursaram um currículo mais intensivo e específico aqui no Brasil. A admissão, é claro, vai da interpretação de quem está contratando. Mas, realmente, para o mercado não tem comparação. Eles podem estar competindo pela mesma vaga, mas existem diferenças enormes que devem ser pontuadas. Os brasileiros que estudam nos EUA ganham diversas habilidades secundárias. Isso além da habilidade de lidar com desafios como mudar para um novo país, ganhando proficiência em uma variedade de assuntos (não apenas em um) e dominando o idioma inglês.

Em quase todos os programas americanos os alunos escrevem e leem intensamente, em temas como humanidades, estudos sociais, literatura clássica mundial, para então seguir para o estudo do campo – ou dos campos – escolhido, bem como dos interesses secundários. Sua ênfase é na comunicação (escrita, verbal, visual), no pensamento crítico e na solução de problemas, treinando seus cérebros para atuar em alto nível, tudo em um idioma que não é sua língua nativa. Além disso, para aqueles que buscam estágios e empregos fora do Brasil, talvez nos próprios EUA, o reconhecimento e o valor de uma graduação em universidade americana segue tão importante quanto sempre foi. O sistema é forte. As opções, variadas. No meu ponto de vista, se as coisas fossem todas iguais (leia-se: o custo), não haveria nenhuma desvantagem em estudar nos EUA.

Nós vivemos hoje em um mundo que é muito maior que um lugar específico. A habilidade de conectar ideias e transferir conceitos perfeitamente de uma cultura para a outra, de uma linguagem para outra, é o que desenvolve uma economia global funcional. É isso que o sistema de ensino superior norte-americano enfatiza. Os talentos de um “problem solver”, um intelectual multifacetado, culturalmente competente, são facilmente transferidos ao Brasil e além. Como muitos pais espertos me disseram no Brasil: nós criamos nossos filhos para o mundo, não para nós mesmos. Eu não poderia concordar mais!

 

*Brady Norvall é  counselor e mentor no STB University Counseling.

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Equipe G.A.T.E. BR

O G.A.T.E. (Global Access Through Education) é uma plataforma de conteúdo com artigos sobre escolas e universidades no exterior, perspectivas profissionais e informações sobre desenvolvimento pessoal.

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